Um certo dia, quando Chico ainda era criança, apareceu um elefante no quintal da casa dos Buarque de Hollanda. Um elefante para valer, um vasto e bem-montado elefante. A estirpe, que já tinha lá imaginação das boas, foi à loucura com curiosa aparição. Sobre o fato, José Candido de Carvalho escreveu a divertida crônica abaixo:
Uma noite [...] Chico ouviu
ruídos no fundo da chácara.
Deixando Cabral cair
no chão e Pero Vaz
de Caminha de tinteiro
entornado, imaginou:
- São os índios!
Não era índio.
Era apenas um vasto e
bem-montado elefante.
A chácara da rua
Haddock Lobo tinha
naquela noite o grande
prazer de apresentar
ao respeitável público
da casa do dr. Sérgio
Buarque de Holanda
o seu número maior.
Um elefante ao natural.
Quando Dona Maria
Amélia soube que tinha
um elefante no seu quintal,
sem acreditar no que
ouvia, mandou que Chico
fosse estudar:
- Que invenção é
essa, que bobagem é essa?
Vá para o quarto tratar de
sua geografia.
Quando o dr. Sérgio
Buarque de Holanda,
homem ilustre, escritor
importante, soube do
elefante em seu território,
meio sobre o vago, mais
dos seus livros do que da
verdade das crianças, disse
mais ou menos assim:
- Joga na lata de lixo.
Elefante é elefante.
Não é como borboleta, que
se espeta, ou pardal que se
empalha. Elefante é fogo!
Chico, à frente do exército
de manos, foi espiar de perto
a grandeza do bicho. Era
uma ilha, uma imensidão
de carne e osso. Medido
em palmos, Chico levaria
horas para viajar da cauda
a cabeça. Que jogar no lixo,
que nada! O melhor era
esconder o elefante, ficar
dono dele. Durou pouco a
propriedade dos meninos
Buarque de Hollanda sobre
o aparecido. Um cornaca
logo veio saber notícias
dele. O elefante tinha fugido
do circo, precisamente do
circo armado no terreno
baldio que funcionava como
chácara suplementar da
meninada da rua Haddock Lobo.
E foi assim, num dia assim,
com o sol assim, que
o quintal de Chico perdeu
a sua maior atração. O que
restou, depois da visita tão
monumental, foi quase
nada: bem-te-vis, sapos
e humildes cambaxirras.
Chico sentiu nesse dia que
a chácara tinha perdido
alguma coisa.
- Encolheu!
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Mallu
Desde que vi o clipe de Velha e Louca, Mallu não me sai da cabeça. A menininha tímida, sem jeito, que cantava olhando para o chão, mudou. Agora ela tem cabelo comprido, pinta o olho de preto, encara a câmera de frente e até dança para ela.
Tudo começou em 2007, quando aos 15 anos ela juntou uma graninha, gravou umas músicas e jogou no MySpace. Tchubaruba e J1 fazem parte dessa primeira fase da cantora. Em 2008 acontecem os primeiros shows em locais como clubes alternativos e festivais de música independente. Esse momento de sua carreira é marcado por composições em inglês e por uma forte influência folk. Nesse mesmo ano o primeiro disco em estúdio é finalmente gravado, bem como um dvd.
O romance com Marcelo Camelo iniciou-se na mesma época, ela tinha apenas 16 anos, ele tinha 30, a notícia causou espanto, mas eles não se abalaram. Camelo, aliás, é responsável por muito da nova fase de Mallu. A influência dele já passa a ser sentida no segundo álbum, Mallu Magalhães, de 2009, embora sem abandonar sua raiz folk, o som de Mallu já passar a ser mais "abrasileirado". A menina que antes falava em Bob Dylan e Johnny Cash, passou a falar em Novos Baianos, Noel Rosa, Chico Buarque. Em Pitanga, o terceiro álbum da cantora, essa influência é nítida. Quem conhece o som dos Los Hermanos, sabe que fica difícil não encontrar um quê do "indie-sambinha" -gênero do qual Camelo foi pioneiro- no novo trabalho de Mallu.
O amadurecimento musical é contudo fruto de um crescimento pessoal. Hoje Mallu virou mulher, casou-se com Marcelo, faz terapia, borda, costura, pinta, escreve e defini-se como uma compositora compulsiva. Segundo ela mesma, Pitanga é antes de tudo um trabalho autoral, uma música sensitiva, que não se limita a palavras.
A nova imagem da cantora também não passa despercebida, apesar de sempre ter se ligado em moda - declarando até mesmo que pensava em cursar design e seguir carreira na área- seu estilo também evoluiu. A amizade com Regina Boni (ex estilista e dona da marca Ao dromedário elegante), muito contribuiu para isso. Um ensaio de Mallu vestindo dromedário foi publicado ano passado, pela revista de Joyce Pascowitch. Mas isso já é assunto para um outro post.
É isso aí dona Maria Luísa de Arruda Botelho Pereira de Magalhães, sempre nutri uma certa simpatia pelo seu trabalho, mas agora você me cativou de vez. As músicas de Pitanga não saem da minha cabeça e há dias já acordo dizendo que não ligo, que eu tô em outra. Sabe como é, eu também tô ficando velha, também tô ficando louca.
![]() |
| Antes de ficar velha e louca |
![]() |
| Tchubaruba times |
![]() |
| Ficando mocinha e fazendo a Audrey |
![]() |
| Mallu por Camelo |
![]() |
| à la Brigitte Bardot |
![]() |
| VMB 2011 |
![]() |
| no ensaio para a revista de Joyce Pascowitch |
![]() |
| Mallu e Marcelo |
o clipe que inspirou esse texto
entrevista bacana, na qual ela fala sobre esse novo momento
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Evento de moda
Acontece no próximo dia sete, em Campinas, um evento muito bacana que vai falar sobre pesquisa e tendência de moda.
O evento é organizado pela Dra. Patricia Sant'anna, minha professora e amiga. Tive a sorte de ser sua aluna e de viajar para Nova York a seu lado, experiência que muito contribuiu para minha formação cultural e profissional.
Além da Patricia estarão presentes vários nomes de peso da área de moda, vale a pena a presença!.
Ressaltando que a entrada é gratuita.
O evento é organizado pela Dra. Patricia Sant'anna, minha professora e amiga. Tive a sorte de ser sua aluna e de viajar para Nova York a seu lado, experiência que muito contribuiu para minha formação cultural e profissional.
Além da Patricia estarão presentes vários nomes de peso da área de moda, vale a pena a presença!.
Ressaltando que a entrada é gratuita.
Assinar:
Comentários (Atom)








